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Amor e Ódio

Amor e ódio são sentimentos necessários à convivência, à formação dos vínculos. É pelo amor que buscamos a união; é pelo ódio que consideramos o afastamento; unir e afastar são efeitos das emoções (emotionare = mover). A forma como vivenciamos cada um desses sentimentos é determinante da nossa capacidade de nos relacionarmos. Na intensidade do amor, chegamos a temer o que sentimos por medo (desejo) de nos perdermos no outro, ou de que o outro se perca em nós. Na intensidade do ódio, chegamos a imaginar a destruição do outro ou a nossa própria. Tanto o amor quanto o ódio exigem de cada um de nós a capacidade de lidarmos com nossa ambivalência: só conseguimos amar e odiar quando não vivemos esses sentimentos como derradeiros, definitivos, separados radicalmente. A possibilidade de reconhecermos nossas próprias atitudes e intenções agressivas só é possível quando mediamos a intensidade do nosso ódio e do nosso amor. Não é porque odiamos que a destruição real se concretizará; assim como não é porque amamos que poderemos nos fundir ao outro. Considerar que o objeto amado ou odiado sobreviverá apesar das nossas intensidades é fundamental para que tanto o amar quanto o odiar se façam experiências enriquecedoras da vida. O reconhecimento da nossa agressividade só é possível quando e se o objeto odiado sobrevive, e nos permite uma atitude de reparação das nossas faltas. Se o objeto não sobrevive ao ódio, a reparação não se torna possível; evitamos, recalcamos, recusamos o ódio; torna-se, então, impossível odiar e amar verdadeiramente. Recusamos, junto com o ódio, também o amor. Para sobreviver, o amor precisa do ódio e da reparação. É apenas quando amor e ódio se articulam em suas inseparáveis formas de manifestação que se torna possível enxergar "uma luz no fim do túnel". A saída dos conflitos emocionais exige de nós o reconhecimento da totalidade da natureza humana. A intensidade com que vivemos amor e ódio não precisa apagar nossa luz. (Evelin Pestana)

Atitudes emocionais

"A psicanálise nos mostrou que as atitudes emocionais dos indivíduos para com outras pessoas que são de tão extrema importância para seu comportamento posterior, já estão estabelecidas numa idade surpreendentemente precoce. A natureza e a qualidade das relações da criança com as pessoas do seu próprio sexo e do sexo oposto, já foi firmada nos primeiros seis anos de sua vida. Ela pode posteriormente desenvolvê-las e transformá-las em certas direções mas não pode mais livrar-se delas. As pessoas a quem se acha assim ligada são os pais e irmãos e irmãs. Todos que vem a conhecer mais tarde tornam-se figuras substitutas desses primeiros objetos de seus sentimentos. (Deveríamos talvez acrescentar aos pais algumas outras pessoas como babás, que dela cuidaram na infância.) Essas figuras substitutas podem classificar-se, do ponto de vista da criança, segundo provenham do que chamamos as ‘imagos’, do pai, da mãe, dos irmãos e das irmãs, e assim por diante. Seus relacionamentos posteriores são assim obrigados a arcar com uma espécie de herança emocional, defrontam-se com simpatias e antipatias para cuja produção esses próprios relacionamentos pouco contribuíram. Todas as escolhas posteriores de amizade e amor seguem a base das lembranças deixadas por esses primeiros protótipos." (Freud em "Algumas Reflexões sobre a Psicologia Escolar", 1914)

Energia somática

Toda a nossa energia de vida provêm do somático (corpo). Nele ficam concentrados nossos excessos e nossas reservas libidinais, a serem administradas pelo psiquismo a fim de se apresentarem no mundo, sob diferentes formas. O objetivo último das forças vitais é ganhar representação no mundo para que se faça o self. A ligação entre o psíquico e o somático passa por várias etapas antes de poder adquirir a capacidade de ser representada pelo gesto, pelo pensar, pelo falar. Em todo vínculo que se reconheça como terapêutico, a passagem de um espaço (soma) a outro (psíquico) serve de veículo para as manifestações do self, do que há de mais singular à cada ser humano. A vida, a arte oferecem essas oportunidades para a ligação entre o psíquico e o somático. Mas nem sempre oferecem a presença de alguém capaz de sustentar a possibilidade dessas ligações. Um vínculo terapêutico é um vínculo onde a arte de acolher, escutar, fazer-se interpretar é privilegiada para que a vida se faça presente, manifesta em cada ser. Nem tudo pode passar pela palavra. O que não passa, atravessa o corpo, nos afeta. O somático deixa marcado no corpo tudo o que sabemos de cor (pelo coração) e que ainda não podemos expressar. Um vínculo terapêutico não passa apenas pela palavra. Mas passa pela arte. (Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Arte, Educação).

O "EU" tem que enfrentar uma luta constante

Para Freud, o Eu tem que enfrentar uma luta constante diante de duas grandes fontes de estímulos: tanto de seu mundo interno quanto do mundo externo em que habita, chegam ao Eu diferentes formas de exigência de satisfação. A tarefa do Eu é conciliar tais exigências, permanecendo capaz de atender a ambas, mantendo-se como uma unidade, mantendo-se bem. Os sintomas, como formação de compromisso, são um caminho na busca de conciliação entre essas duas grandes fontes de estímulos. Quando o Eu desconhece o que lhe chega como ordem desde seu interior, ou camufla, por razões inconscientes, os pedidos que lhe chegam desde o exterior, as chances de sucumbir em sua tarefa são inúmeras. Por ser incapaz de conciliar, o Eu entra em desintegração: é atacado pelo pânico, pela depressão, pela agitação, pela apatia, pela mania, pelo isolamento, pela necessidade extrema de reconhecimento, pela crítica exacerbada de si e do outro... O eu pode ser, portanto, ao mesmo tempo, muito forte e muito fraco. A saúde emocional consiste em poder transformar o que é uma condição natural de crescimento - a necessidade de conciliar - em nossa maior força. Para crescer, desenvolver-se, o Eu precisa conhecer as exigências que lhe chegam desde dentro e desde fora de si. No percurso de uma vida, torna-se necessário conhecer tanto o exterior quanto o interior. Todos trazemos em nós as condições da loucura. ((Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Arte, Educação).

A Questão do Desejo

Lacan aborda a questão do desejo, combinando o discurso psicanalítico com o linguístico. Embora, em um sentido, amplie a teoria, também pode produzir um efeito redutor.
O mesmo Lacan, diferencia a necessidade, no nível biológico e etológico, do desejo, inscrito em um nível simbólico e imaginário. Deve-se distinguir o comer ou beber, como necessidade para sobreviver, do desejo de gozo oral que, em sentido estrito, não é satisfeito com o líquido que acalma a sede. Requer vinho, champagne ou Coca-Cola.
Gozo e prazer são categorias estritamente humanas do plano do desejo. Na demanda, pede-se reconhecimento e amor. Demanda do paciente de ser amado por seu psicanalista, de ser reconhecido em seu sintoma e em sua presença.
A ferida narcisista surge diante da frustração da demanda. Aparece a agressão.
Podemos tolerar muitas coisas, mas não suportamos não sermos reconhecidos. (André Lacerda - Psicanalista)

O fio do desejo

Em análise, é possível reencontrar "o fio do desejo", reelaborar emoções e memórias, descobrir novos modos de tecer a vida e criar, construir, urdir e bordar a própria história... (Ana Luisa Kaminski)

Wilhelm Reich

"A vida brota a partir de milhares de fontes vibrantes, entrega-se à todos que a agarram, recusa-se a ser expressa em frases tediosas, aceita apenas ações transparentes, palavras verdadeiras e o prazer do amor (...)"

(Wilhelm Reich,1930)

desejo

"O desejo é a metade da vida; a indiferença, a metade da morte!"

(Khalil Gibran)

realidade psíquica

Para além da realidade dos fatos, Freud descobriu a "realidade psíquica", uma realidade particular, fomentada pelo encontro de nossos desejos mais primitivos e traços da realidade aos quais nos ligamos na busca pelo prazer, ou pela dor, quando esta ainda é a única forma pela qual podemos nos reconhecer. A realidade que cabe ao humano é essa mescla de sonhos, desejo e fragmentos da realidade, aproveitados para compor uma memória emocional muito particular a cada um. Se não podemos chegar à última palavra da realidade dos fatos, podemos chegar às múltiplas palavras que compõem nossa realidade psíquica. A realidade interior é mais rica que a realidade exterior. ( Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Arte, Educação).

A (IN) CONSCIÊNCIA ANTE OS ATOS

A rotina diária de nossas ações, tende a antecipar sempre a cada ato, uma consciência super egoica em todos os momentos de nossas vidas.
Na verdade, antes de estabelecermos o verdadeiro valor de nossos desejos e planos, nos surpreendemos estabelecendo limites que supostamente possam ser cobrados pela conjuntura da sócio-cultura que vivemos.
Assim, temos uma tendência absolutamente automática, a nos auto-censurar antes mesmo de projetar a execução de atos que uma vez executados nos dariam muito prazer e satisfação pessoal.
Existe uma gama de fatores que influenciam nessa dita consciência censurante que limita nossas ações mais simples e que não estejam comprometidas com os padrões ditos convencionais ou convencionados.
Assim, as vezes (digamos até muitas vezes), deixamos de fazer ou realizar aquilo que desejamos e que provavelmente nos fariam usufruir de momento absolutamente prazerosos.
A psicanálise lacaniana, ao abordar os 3 registros (Real, Simbólico e Imaginário) nos ajuda nesse raciocínio absolutamente contemporâneo.
Mas, como poderíamos estabelecer uma avaliação entre o certo e o errado, o decente e o indecente, o moral e o imoral, ou ainda o ético e o anti-ético.
Não farei uma dissertação estabelecendo as diferenças entre as nuances de ética, me referindo a Platão e Sócrates e fazendo as respectivas citações.
Mas em se tratando de felicidade (aquela que absoluta que só vemos pela tela do cinema, sem restrições ou censura e que normalmente não nos concederíamos em hipótese alguma), acho que todos nós somos platônicos.
E se somos, obrigatoriamente temos que creditar a irrealidade desses atos, à nossa consciência que cruelmente nos tira da tela ou da ribalta e nos remete a realidade crua de uma vida cheia de limites e responsabilidades(??). (André Lacerda - Psicanalista)

À análise

A partir da análise (psicanálise), é possível deixar aflorar e elaborar os conteúdos inconscientes que determinam as sofríveis e incontroláveis repetições e, então, reconfigurar o desenho de si e da própria vida, buscando novos comportamentos e atitudes, contudo, com o auxílio da hipnoterapia o tratamento dos sintomas é mais eficaz e o indivíduo SE TORNA LIVRE DAS AMARRAS EMOCIONAIS que o aborrecia.